VITÓRIO GHENO DADOS BIOGRÁFICOS VITÓRIO GHENO é artista plástico, artista gráfico, ilustrador, gravador, aquarelista, desenhista. Também é decorador especializado em Hotelaria Brasileira há mais de 50 anos e designer mobiliário. Nos anos 1950 também trabalhou como publicitário e jornalista, quando morou em Buenos Aires, Paris e depois, no Rio de Janeiro, além das artes plásticas e gráficas .Nasceu em Muçum no Rio Grande do Sul em 1923, mas foi criado em Porto Alegre desde os quatro anos de idade, pois os pais se mudaram para a capital gaúcha. Com apenas 14 anos de idade, Gheno começa a trabalhar na Seção de Impressão Litográfica da Livraria e Editora Globo. Em poucos meses, foi transferido para a famosa Seção de Desenho da Globo, onde trabalharam outros grandes artistas rio-grandenses, tendo Ernst Zeuner, alemão formado em artes gráficas na Alemanha e radicado em Porto Alegre, como chefe. De aprendiz de litografia para ilustrador da Revista do Globo, uma das mais importantes revistas da primeira metade do século XX, passaram-se apenas alguns meses, tamanho era seu talento para ilustrar e criar. Ilustrou dezenas de contos de escritores consagrados como Cyro Martins, Rubem Braga, Vinícius de Morais, Lygia Fagundes Telles, Fernando Sabino, entre muitos outros. Na Globo, também criou capas de muitos livros como o de Érico Veríssimo (México) e de George Orwell (A Revolução dos Bichos). São de sua época na Globo, ilustres artistas como Edgar Koetz, João Faria Vianna, Nelson Boeira Fäedrich, João Fahrion, João Mottini entre outros artistas de especial talento. Participou da fundação de entidades culturais importantes do RS, como a criação da Associação Francisco Lisboa, no início dos anos 1940 e o Clube do Cinema, já no fim da mesma década. Durante a Segunda Guerra Mundial, Gheno já estava em Buenos Aires, por sua própria conta, em busca de novas oportunidades de trabalho, onde ficou de 1945 até fim de 1947. Trabalhou em várias editoras argentinas como a Peuseur e a Editorial Atlântica, Sopema e Kraf e também agências de propaganda como a Proventas e Grant. Ilustra livros, cria capas e anúncios de publicidade.Fica amigo de Monteiro Lobato em Buenos Aires.Volta para Porto Alegre e busca seus amigos artista da Seção de Desenho da Globo, para também tentarem trabalho na efervescente capital argentina do pós guerra. Alguns ficam por lá e Gheno volta para o Brasil depois de receber o Prêmio Nacional de Belas Artes em Buenos Aires.Vai a Minas Gerais e torna-se amigo de Guinhard, em 1948.
Continua colaborando com a
Editora Globo e com a Empresa Jornalística Caldas Junior. É o ilustrador das
personalidades impressas na primeira página do Jornal Correio do Povo. Também
ilustra a Folha da Tarde. Vitório Gheno é o autor e ilustrador das primeiras
crônicas ilustradas da Revista do Globo. Começa a criar reclames, como eram
chamados os anúncios de propagando no fim dos anos 1940. Em 1950 viaja para Paris, também por conta própria, sem bolsa de estudos, para estudar e trabalhar. Retrata em suas rigorosas e apuradas aquarelas, os brasileiros na Cidade-Luz, e como correspondente envia ao Brasil para serem publicadas em revistas cariocas de variedades como as Revistas Rio e a Sombra: além das aquarelas, ilustrações, crônicas e capas de tudo que acontecia em Paris referente aos brasileiras que se encontravam lá no pós-guerra. Nesta época também morou em Paris, o grande artista gaúcho Iberê Camargo que, além de seu amigo, morava embaixo de seu apartamento na Avenue Montparnasse. Junto com o artista gaúcho Carlos Scliar, Gheno imprime suas litografias no mesmo atelier utilizado por Braque. De 1950 a 1952, convive entre ilustres como Christian Berard, Jean Cocteau, Marc Chagall, Marcel Vertes, Jean Paul Sartre, Juliette Grecot. E também brasileiros como Antônio Bandeira (este, já influenciado pelo artista norte-americano Jackson Pollock, um dos principais representantes do expressionismo abstrato no século XX), José Morais, Carlos Scliar, Iberê Camargo, Cândido Portinari, Genaro de Carvalho, Cícero Dias, Danúbio Gonçalves e Clóvis Graciano, entre outros. Cria estampas de tecidos para a Casa de Alta Costura de Madame Grees. Passa a frequentar desfiles da alta costura parisiense, enviando suas ilustrações para serem publicadas no Brasil. Cria aquarelas e estudos junto ao Ballet Internacional do Marquês de Cuevas, em Paris. Colabora com a agência subsidiária da McCann Erickson em Paris. Quando volta para o Brasil, é contratado imediatamente como Diretor de Arte da Agência McCann Eriksson do Brasil no Rio de Janeiro, onde fica até 1958.Cria muitos anúncios, entre eles: “ISTO FAZ UM BEM...”, slogan da campanha publicitária da Coca-Cola, juntamente com o poeta e escritor J.G. de Araújo Jorge, seu colega de McCann. Foi responsável por outras grandes contas na McCann, como a Esso do Brasil e a SAS - Scandinavian Airlines System, para a qual criou um de seus anúncios mais sugestivos:"PARIS COMEMORA SEUS OS 2000 ANOS. ESTEJA PRESENTE A ESTA FESTA VOANDO PELA SAS." Gheno foi criador do layout da Revista Manchete Nº1 lançada em 26 de abril de 1952. Colaborou durante alguns anos com a Revista Manchete, ilustrando contos de ilustres escritores brasileiros como Fernando Sabino, Afonso Arinos, Rubem Braga, Mário de Andrade entre muitos. No Rio de Janeiro dos anos 1950, conheceu Xico Stockinger, que tornou-se seu amigo e foi morar e trabalhar em Porto Alegre, com a ajuda de Gheno. Conviveu com grandes escritores e artistas como Aldemir Martins, Djanira, Darel, Guilherme de Figueiredo, Maria Leontina, Athos Bulcão, Maria Martins, eram todos seus amigos no Rio dos anos 50. A partir de 1995, passa a colaborar com a VARIG, criando vários anúncios e também os cardápios internacionais para os vôos das novas aeronaves Super G Constellation 1049G Intercontinental, que passa a ter a rota entre Rio de Janeiro e Nova Iorque, em 1955. Ainda no Rio, Gheno desperta interesse por design mobiliário, exímio desenhista que sempre foi. Ficou amigo e estudou com o grande mestre da arte mobiliária, Joanquim Tenrreiro, português radicado no Rio. Profundamente interessado no design moderno e criador de peças e de mobiliário que primam pela simplicidade e funcionalidade, Gheno é um admirador da Bauhaus, uma das primeiras escolas de design, arquitetura e artes de vanguarda do mundo. Inicia na decoração de interiores quando a palavra “decorador” ainda não era utilizada no Brasil. Assinou diversos projetos de decoração de interiores de residências, clubes, hospitais, bancos e hotéis em todo o país. No fim dos anos 1950, Gheno volta a morar em Porto Alegre, depois de mais de uma década e meia fora, mas continua trabalhando em todo o Brasil. Cria o projeto e o design da primeira loja para venda de passagens aéreas da Varig, que era vizinha da Editora Globo onde iniciara sua carreira artística aos 14 anos de idade em Porto Alegre.Trabalha em várias agências de publicidade como Standard e MPM; colabora com o jornal A Hora depois de colaborar com o jornal Última Hora, de Samuel Wainer, no Rio.A partir da década de 60, já é reconhecido designer de interiores, com especialização em Hotelaria, área que atua até hoje, além das artes plásticas e gráficas. E em 1957, funda, em Porto Alegre, a primeira e melhor Loja de Decoração da cidade - GHENO - que leva seu nome, na rua 24 de outubro no Bairro Moinhos de Vento. Movido por seu espírito inovador, traz para sua própria loja a representação dos famosos móveis Forma, empresa paulista de mobiliário contemporâneo criada em 1955 pelo casal Wolf. Nessa época, a FORMA faz acordo com a Knoll International e traz para o Brasil peças de mobiliário assinadas por Harry Bertoia, Marcel Breuer, Mies van der Rohe, Florence Knoll e Eero Saarinen. No início dos anos 1960 passa atuar na área de decoração e design de interiores, especializando-se em Hotelaria. Decorou dezenas de hotéis no Brasil inteiro, para várias redes hoteleiras, entre elas a Rede Tropical de Hotéis e a Rede Plaza de Hotéis, depois de uma longa viagem de estudos na Europa. Recomeça sua atividade artística criando litografias para os quartos dos hotéis que decorava, sempre com temas históricos e sócias das regiões onde os hotéis se situavam. Assim, retratou o Brasil inteiro, através de gravuras, e as colocou dentro de todas as unidades destes prédios que abrigavam hóspedes do mundo inteiro que podiam conhecer , através de suas gravuras (litografias) os prédios históricos e igrejas de Salvador da Bahia; as palafitas do Rio Negro no Amazonas; os prédios históricos de Manaus e Belém do Pará; cenas rurais do interior de Santa Catarina como os alambiques; cenas históricas e rurais da colônia italiana e alemã do interior do Rio Grande do Sul; prédios históricos de São Paulo capital, e muitos outros temas importantes que foram divulgaram e enriqueceram a arte gaúcha dentro do panorama nacional, dando-lhe a dimensão que até os anos 70 ainda não tinha. Gheno foi um destes artistas gaúchos responsáveis pelo engrandecimento das artes gráficas e plásticas do Rio Grande do Sul. Nas décadas de 60 e 70, Gheno incentiva o Artesanato Mobiliário de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, orientando os artesãos na criação de peças de mobiliário, iniciativa que influencia todos os fabricantes de móveis daquela região, abrangendo mais de mil profissionais em todo o Rio Grande do Sul. Outra iniciativa de suma importância de Vitório Gheno, foi ser o idealizador dos grandes acervos de arte de vários artistas brasileiros, formados e incorporados ao patrimônio permanente nos hotéis com projetos de design e arquitetura de interiores assinado por ele, valorizando sobremaneira a arte e cultura nacionais. Com esta idéia, sempre orientou as diretorias dos hotéis na aquisição de coleções de arte relevantes. Para o Hotel Tropical da Bahia foram adquiridas obras de artistas como Carybé, Hansen da Bahia, Di Cavalcanti e Mário Cravo. No Plaza São Rafael de Porto Alegre, orienta a aquisição, pela Rede, de obras de vários artistas brasileiros importantes como Glauco Pinto de Moraes, Glauco Rodrigues, Plínio Benhardt, Vasco Prado, Glênio Bianchetti, Goeldi, Xico Stockinger, Paulo Porcella, Danúbio Gonçalves, Aldemir Martins, Ernesto Frederico Scheffel, Carlos Antonio Mancuso e o consagrado e internacional pintor argentino e seu amigo, Vito Campanella.
Em 1987, recebe agradecimento
pessoal da Princesa Anne da Inglaterra, quando esta, em sua passagem pelo Hotel
das Cataratas, também decorado por Gheno, elogia suas litografias. Presenteada,
a nobre leva uma litografia para a Inglaterra e depois envia-lhe carta pessoal
de agradecimento. Vitório Gheno vive e trabalha em Porto Alegre, em seu atelier no Centro Histórico da capital gaúcha. Produz arte diariamente, colaborando incansavelmente para o registro de tudo que se refere ao Rio Grande do Sul, enriquecendo assim, de sua parte, cada vez mais a História das Artes Plásticas e Gráficas, gaúcha e brasileira. Desde sua primeira exposição individual de arte no fim dos anos 1940, já era artista consagrado, conhecido por seu talento e seu temperamento modesto, bem como seu interesse incondicional por temas sociais e históricos regionais e brasileiros; O patrimônio histórico e artístico, principalmente o arquitetônico, foi dezenas de vezes retratado por Gheno em suas litografias (gravuras) como aquarelas e outras técnicas, colocando a arte gaúcha, junto com outros artistas de seu tempo, no panorama nacional. Um de seus temas preferidos é retratar a arquitetura histórica antiga cidades ao longo do Brasil. Retrato prédios históricos do patrimônio brasileiro, como é o caso de vários prédios históricos de Porto Alegre-RS inexistentes na cidade e perpetuados em sua obra. Não somente estes temas chamam a atenção do artista, interessado incondicionalmente na natureza e flora brasileira. São inúmeros seus registros gráficos e plásticos sobre Salvador da Bahia, Manaus no Amazonas e Belém no Pará. Entretanto, o tema social ainda é o que mais o inquieta: a séria ALDEIAS URBANAS é objeto de seu estudo artístico e pictórico desde a virada do século: o tema é desenvolvido por Gheno desde os anos 1940 quando retratava as cenas rurais e depois, com o passar do tempo passaram a ser as cenas urbanas. Principais exposições individuais: Galeria Studio Os Dois - Porto Alegre/RS, 1947 / Galeria Casa das Molduras - Porto Alegre/RS, 1949 / Galeria do Auditório do Correio do Povo - Porto Alegre/RS, 1949 / Associação Brasileira de Imprensa (ABI) - Rio de Janeiro/RJ, 1952 / Livraria do Globo - Porto Alegre/RS, 1960 / Galeria Mondrian Atelier de Arte / IAB - Porto Alegre/RS, 1965 / Torres Praia Clube (Clubinho) - Torres/RS, 1968 / Galeria Guignard (Plaza São Rafael) - Porto Alegre/RS, 1974 / Galeria Independência, Porto Alegre/RS, 1979 / Galeria Alencastro Guimarães, Porto Alegre/RS, 1988 / Galeria Bolsa de Arte, Porto Alegre/RS, 1990 / Galeria Manzione - Punta Del Este/Uy, 1992 e 1993 / Galeria Mosaico - Porto Alegre/ RS,1992 / Espaço de Arte Mediterrâneo - Porto Alegre/RS,1996 / Escritório de Arte Alto da Bronze - Porto Alegre/RS, 1997 / Galeria Garagem de Arte - Porto Alegre/RS, 2001 / MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli: retrospectiva 6 DÉCADAS DE ARTE DE VITÓRIO GHENO com 45.000 visitas.
Principais hotéis decorados no Brasil:
Anos 1960:
Plaza Porto Alegre - Porto Alegre-RS; Anos 1970: Tropical Planalto - São
Paulo-SP / Plaza São Rafael - Porto Alegre-RS / Plaza Itapema – Itapema-SC /
Plaza Blumenau – Blumenau-SC, / Plaza Caldas da Imperatriz - Caldas da
Imperatriz-SC / Hotel Nacional – Brasília-DF / Hotel Nacional - Rio de
Janeiro-RJ / Hotel Laje de Pedra – Canela-RS / Tropical da Bahia –Salvador-BA ;
Anos 1980: Tropical Manaus – Manaus-AM / Tropical das Cataratas - Foz do
Iguaçu-PR / Crisul Hotel – Criciúma-SC / Hotel Açores – Camboriú-SC / City Hotel
- Porto Alegre/RS; Anos 1990: Grande Hotel Express - Porto Alegre-RS /
Máster Executivo - Porto Alegre-RS / Holiday Inn - Porto Alegre-RS / Tropical
Grande Hotel e Termas de Araxá –Araxá-MG; Anos 2000: Plaza São Rafael - Porto
Alegre-RS / Bahia Plaza Resort, Camaçari/BA, 2005/ Assina o projeto de
toda a redecoração, reforma e repaginação de todos os hotéis da Rede hoteleira
gaúcha PLAZA HOTÉIS de 2005 a 2011.
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